Secretaria Municipal da Saúde
Grupo terapêutico auxilia pacientes com Parkinson a se adaptar à nova realidade

Equipe multidisciplinar do CER Cidade Ademar realiza oficinas cognitivas e motoras para pacientes com Parkinson (Acervo/Ascom)
Todas as quintas-feiras, a aposentada Maria Aparecida Martins Nepomuceno, de 66 anos, frequenta o grupo voltado para pacientes com doença de Parkinson, no Centro Especializado em Reabilitação (CER) III Cidade Ademar, mantido pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), na zona sul da capital. O grupo, que tem duração de seis meses, realiza práticas para estimular a fala e a memória, além de fortalecer os membros superiores e inferiores.
“Estou sentindo uma evolução. Agora eu tenho estímulo para fazer exercícios, sair, passear e interagir com outras pessoas, porque antes eu ficava muito tempo em casa. Melhorou minha autoestima”, conta a paciente.
O Parkinson, condição lembrada neste 11 de abril, é a segunda doença degenerativa mais comum do mundo, atrás somente do Alzheimer. “Temos pacientes encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e por serviços de especialidades médicas; diante disso, surgiu a ideia de criar um grupo de reabilitação, no qual são realizadas atividades diferentes a cada semana, que também podem ser reproduzidas no ambiente domiciliar”, explica a gerente do centro, Vanessa Nakamura.
Nos encontros semanais, com duração de uma hora e meia, os pacientes contam com o auxílio de uma equipe multiprofissional: a fisioterapeuta propõe exercícios motores; a fonoaudióloga realiza práticas para melhorar a fala; a psicóloga trabalha com questões cognitivas; e a neurologista aborda os sintomas e a evolução da doença.
Segundo Vanessa, o conceito é que o grupo seja heterogêneo, reunindo pessoas com diferentes idades e estágios da doença. “Muitas vezes, a pessoa com doença de Parkinson sente-se constrangida em razão das limitações motoras e das alterações na fala, o que pode impactar sua autoestima e interação social.
Nesse contexto, o grupo de reabilitação torna-se um espaço acolhedor, onde os participantes, além das atividades terapêuticas, encontram outras pessoas que vivenciam desafios semelhantes, podendo compartilhar vivências relacionadas à reabilitação, ao uso da medicação e aos cuidados no ambiente domiciliar, fortalecendo vínculos, promovendo apoio mútuo e contribuindo para uma melhor qualidade de vida.
Impactos físicos
Maria Aparecida começou a apresentar sintomas bem diversos do Parkinson. “O corpo enfraquecia e tinha dores terríveis que ficavam latejando. Eu sentia muita sonolência, tonturas, vertigens. Fique sem paladar e perdi o apetite; e não tinha mais condição de trabalhar”, diz.
Os sintomas da doença de Parkinson são variados, mas os mais característicos incluem tremores involuntários em repouso, rigidez muscular, bradicinesia (lentidão dos movimentos) e instabilidade postural, que compromete o equilíbrio e pode provocar quedas. “Temos ainda outros sintomas como transtorno de humor, apatia, depressão, ansiedade, alteração de sono, fadiga, cansaço, mudança do tom da voz, perda do olfato e disautonomias, que são distúrbios do sistema nervoso autônomo que gerenciam funções involuntárias como pressão arterial, frequência cardíaca e digestão”, explica a neurologista Natasha Bessa.
Por ser progressiva, a doença pode dificultar o diagnóstico, que é clínico e baseado nos sintomas, histórico e avaliação neurológica. “O Parkinson é uma doença que não tem cura e não é possível impedir a sua progressão, mas a reabilitação física e medicamentos ajudam a controlar os sintomas para que o paciente tenha uma vida funcional”, diz Natasha.
Impactos emocionais
O apoio psicológico em grupos terapêuticos é essencial no tratamento, ao favorecer o acolhimento emocional e o fortalecimento de vínculos. “Muitos pacientes chegam desanimados, pois antes eram ativos e, com a progressão dos sintomas, passam a enfrentar limitações que impactam o emocional”, explica a psicóloga Franciele Amorim.
Segundo ela, o trabalho busca promover a ressignificação do sujeito e a adaptação às atividades do dia a dia, respeitando limites individuais. “No grupo, há troca de experiências, incentivo mútuo e identificação entre os participantes. Isso contribui para que se sintam mais motivados e acolhidos, entendendo que não estão sozinhos”, afirma.
No caso de Maria Aparecida, ela continua administrando as atividades de casa, como sempre fez. “Antes eu saía para dançar toda semana. Agora é mais difícil pela falta do equilíbrio. Mas, de vez em quando, em festinha ou churrasco de família, ainda me atrevo a dançar. É uma dança diferente”, brinca.
Já Gregório da Costa Chaves, de 68 anos, destaca a importância da saúde mental para lidar com a doença. Ele, que está aposentado, mas ainda trabalha como engenheiro eletrônico e escritor, participou do primeiro grupo de reabilitação há dois anos. “O estado mental é muito importante para enfrentar os desafios do Parkinson”, avalia.
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) mantém 35 CERs, em todas as regiões da cidade. Em 2025, estes equipamentos atenderam 352.199 pessoas, com um total de 1.667.021 procedimentos.
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