Secretaria Municipal da Saúde
Abril Azul: suporte a pacientes com TEA na Saúde da capital envolve cuidado multidisciplinar

Neste mês, o calendário da saúde destaca o Abril Azul, voltado ao transtorno do espectro do autismo (TEA), uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamento repetitivos, interesses restritos e alterações comportamentais.
Ao longo dos últimos anos, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), tem ampliado o cuidado voltado às pessoas com TEA, com investimentos em estrutura e capacitação profissional. O número de atendimentos realizados passou de 26.521, em 2019, para 87.218 em 2022, 139.892 em 2023, 187.842 em 2024 e 215.708 em 2025.
Os atendimentos são realizados de forma articulada entre as equipes das 481 Unidades Básicas de Saúde, dos 104 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), dos 35 Centros Especializados em Reabilitação (CERs) e dos 23 Centros de Convivência e Cooperativa (Ceccos) da capital.
As ações estão alinhadas à Lei Municipal nº 17.502/2020, que estabelece diretrizes para garantir, proteger e ampliar os direitos dessa população e de seus familiares na capital. A SMS conta com uma Linha de Cuidado da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo, que envolve diversas áreas técnicas da Coordenadoria de Atenção Básica (CAB). A linha de cuidado também prevê a oferta de grupos de orientação parental, voltados ao acolhimento de familiares e cuidadores, com orientações sobre desenvolvimento, comportamento e necessidades das pessoas com TEA.
Diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce do TEA é fundamental, pois quanto antes a criança recebe estímulos adequados, melhores são suas perspectivas ao longo da vida. A identificação de sinais de alerta e o início da intervenção ocorrem nas UBS, pois quanto antes a criança recebe estímulos adequados, melhores são suas perspectivas ao longo da vida. Nesse sentido, cabe às UBS papel central no acompanhamento longitudinal, na avaliação e na intervenção precoce desses casos, com ênfase no cuidado integral, centrado na família e no território.
Os Caps, voltados ao cuidado em saúde mental, oferecem atendimento interdisciplinar e contribuem para o diagnóstico biopsicossocial, com a construção do Projeto Terapêutico Singular junto ao usuário e sua família. Atuam no manejo de crises, com cuidado intensivo, além de ações de articulação em rede e reabilitação psicossocial. Os Caps infantojuvenis e adultos são referências para suas respectivas populações.
Os Ceccos, integrantes da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), promovem convivência e inclusão social, reunindo pessoas em diferentes contextos biopsicossociais, por encaminhamento ou demanda espontânea.
Já os CERs, vinculados à Área Técnica de Saúde da Pessoa com Deficiência, oferecem atendimento multidisciplinar com médico fisiatra, neurologista pediátrico e profissionais como fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional, assistente social e enfermeiro. O objetivo é promover o desenvolvimento do paciente e apoiar a família, por meio de uma abordagem integrada voltada à comunicação, autonomia e funcionalidade. As unidades contam com recursos como salas sensoriais, grupos terapêuticos, tecnologias assistivas e reabilitação com realidade virtual, voltada a estímulos motores e cognitivos.
Realidade Virtual
A psicóloga Nádia Silva Ribeiro, do Centro Especializado em Reabilitação (CER) III São Mateus, apresenta o equipamento Nirvana como um recurso terapêutico inovador baseado em realidade virtual, voltado principalmente a pacientes com rebaixamento cognitivo. A ferramenta utiliza jogos interativos para estimular funções executivas, atenção, concentração e coordenação motora, aliando o aspecto lúdico ao tratamento.
“O Nirvana traz o brincar para dentro da terapia, mas com objetivo clínico. A gente consegue trabalhar atenção, organização e interação de forma muito mais envolvente, o que facilita a adesão ao tratamento”, explica. Além disso, explica, o equipamento também permite trabalhar situações do cotidiano por meio de simulações, como atividades de compra, ampliando os impactos da terapia.
Os resultados são percebidos pelas famílias. A dona de casa Cátia Soares Batista conta que o filho M.S.S., 6 anos e diagnosticado com TEA, passou a apresentar avanços importantes após iniciar o uso do recurso, há três anos, além do atendimento pela equipe multidisciplinar e individual com fonoaudióloga, psicóloga e terapeuta ocupacional. “Ele não tinha foco nem concentração, e isso ajudou bastante. Hoje, consegue esperar mais, se concentrar e até na escola melhorou, consegue ficar sentado e fazer as atividades”, relata.
Outro caso é o de A.A.S., 4 anos, acompanhado há um ano no serviço. Segundo a mãe, Mace Cleide Araújo Santos, as mudanças foram significativas. “Ele era agressivo. Melhorou bastante. Na escola também se adaptou, está mais comunicativo, carinhoso, curioso. Vale a pena”, afirma.
Estratégia de apoio promove fortalecimento da autonomia
Desde 2010, a rede municipal conta com a Estratégia APD — Apoiador da Pessoa com Deficiência, voltada ao acompanhamento de pessoas com deficiência intelectual ao longo do ciclo de vida, com foco na autonomia, protagonismo e participação social.
Atualmente, são 34 equipes, presentes em grande parte dos CERs de reabilitação intelectual, formadas por enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e apoiadores. As ações incluem acompanhamento nos serviços de saúde, apoio à inclusão escolar e no trabalho, inserção em atividades de lazer, cultura e esporte, fortalecimento de vínculos familiares e orientação para acesso a benefícios, além do desenvolvimento do autocuidado, mobilidade e comunicação.
Link com imagens: https://flic.kr/s/aHBqjCPR2c
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